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sábado, abril 10, 2010

Sabores gelados no planalto


Sabores gelados no planalto

Direto de Brasília, a história da Saborella, que faz alguns dos sorvetes mais apreciados do país. A receita é segredo de família

Guta Chaves, especial para o iG São Paulo, de Brasília (*) | 09/04/2010 21:21
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Foto: Alessandro Dias/Foto Arena
Sortidos: baunilha com uísque (vanilla bourbon), chocolate (centro) e pistache
Os sorvetes feitos pelos irmãos Kzam, em Brasília, estão entre os mais famosos do Brasil. Quem visita a capital federal e prova um dos gelados de frutas brasileiras ou de ingredientes de origem, como o de pistache, costuma virar os olhos. A Saborella também é fornecedora de restaurantes locais. Seus sabores gelam a garganta de convidados em eventos da Presidência da República. Segundo Bruno Kzam, um dos sócios, refrescam também o paladar do presidente Lula. "Ele sempre manda buscar". Certa vez, um diplomata que planejava um jantar no Rio de Janeiro despachou seus funcionários para Brasília especialmente para comprar a sobremesa. A cantora Zélia Duncan até fez uma homenagem. "Tem uma música em que ela fala do milk shake de tapioca. É inspirada em nosso sorvete do mesmo sabor", conta Kzam. 
Foto: Alessandro Dias/Foto ArenaAmpliar
Mestre sorveteiro: Bruno Kzam, o maquinário da Saborella e o sorvete de menta
De piloto a mestre sorveteiro
Desde pequeno, Bruno Kzam foi acostumado a se adaptar a lugares diferentes. De origem sírio-portuguesa, nasceu em Macapá, terra da mãe. Passou a infância no Recife e em Belém, cidade do pai. Conviveu com a riqueza e a diversidade da Amazônia e do Nordeste. Seu sonho era ser piloto de avião e voar pelo mundo. Fez o curso, tirou brevê e entrou numa companhia aérea como comissário de bordo. Tempos depois, virou piloto, conheceu o Brasil e vários países do mundo.
Nas paradas, aqui e no exterior, Kzam circulava pelas ruas em busca do melhor sorvete da cidade. Provava o quanto podia. Essa preferência é, de certa forma, influência do pai. Seu Christiano sempre quis abrir uma sorveteria com sabores da Amazônia. “Meu único vício é o sorvete”, brinca Bruno, que, depois de passar um bom tempo voando, decidiu abrir a tal sorveteria.
Perfeccionista, pesquisou muito. O objetivo era descobrir onde se fazia o melhor sorvete... do mundo. Primeiro, visitou as principais sorveterias do Brasil. Na época, meados dos anos 90, notou que a qualidade estava aquém das expectativas. Resolveu fazer cursos de fabricação de sorvete, ministrados em vários locais do Brasil. E acabou abrindo sua sorveteria, a Saborella, inicialmente para atender o varejo, fornecendo para bufês. Mas ainda não estava satisfeito com o padrão de qualidade.
Bruno partiu então para a Itália, onde estaria o "sorvete excepcional". Em cada cidade que chegava, ia logo perguntando: onde se toma o melhor gelato por aqui? Foi assim em Roma, Veneza, Milão, Bréscia, Piza, Parma... Cada um parecia melhor do que o outro. Até que chegou a Bolonha. "Indiscutivelmente os de Bolonha são os melhores, a cidade está um nível acima do resto da Itália”. Acabou, com o tempo, fazendo amizade com os mestre sorveteiros – inclusive com o dono da Gelateria Gianni, uma das mais famosas de Bolonha - e descobriu muitos segredinhos importantes da profissão. Aproveitou também para estudar.
Com a experiência, conseguiu levar a Saborella para o consumidor final: hoje tem duas unidades em Brasília, uma na Asa Norte e outra no Casa Park Shopping. A tecnologia e o padrão de qualidade seguem os moldes italianos. Na Saborella, não é utilizada a polpa de fruta, mas a própria fruta. A cozinha também não trabalha com essências, mas com o produto in natura. Todos os sabores têm origem: o pistache vem de Bronte, na Sicília; o chocolate, de São Tomé e Príncipe (África); a baunilha é da variedade bourbon, produzida em Madagascar; a avelã vem da Turquia e do Piemonte (Itália); as nozes, do Sorrento (Itália); os pinoli vem de Piza (Itália); o doce de leite é argentino. Sempre em busca das localidades mais conceituadas de determinado produto. “Da menta, por exemplo, nós fazemos um blend da piemontesa com a egípcia”, diz Bruno.
O sorvete de pistache é especialmente bom. Bruno explica: “O solo vulcânico da região de Etna, em Bronte, na Sicília, resulta no pistache mais disputado do mundo, com selo de excelência, que custa o equivalente a 450 reais o quilo”. Como bom amazonense, Bruno não poderia deixar de apresentar sorvetes de frutas brasileiras, como bacuri, taperebá, tapioca, açaí e muruci. O de tapioca é feito com farinha de tapioca vinda do Pará e coco ralado fresco, um dos campeões de audiência.
Foto: Alessandro Dias/Foto Arena
No balcão, em sentido horário: vanilla bourbon (esq), trufas, pistache e chocolate
O negócio da sorveteria deu tão certo que a Saborella virou uma empresa familiar: Bruno Kzam, os irmãos Sávio e Homero e a mãe, Eleanora, dividem o comando. Só os três irmãos fabricam o sorvete, revezando-se todos os dias, sendo que seus funcionários não entram na produção. É um segredo de família, da mesma forma que ocorre nas gelaterias italianas. O cuidado dos Kzam com o sorvete está sobretudo no sabor. E eles não pensam em abrir franquia. “Não vou conseguir manter a qualidade de um produto artesanal num sistema de franquia”, diz Bruno. 

Dicas de mestre sorveteiro para um excelente produto artesanal 
- O sorvete italiano é muito mais leve do que nos outros, pois leva bem menos gordura: de 3% a 8%.

- Para fazer um bom sorvete, é preciso de uma máquina de alta tecnologia, que tire o sorvete com padrão e textura diferenciada. A produção de sorvete nada mais é do que o processo de resfriamento com batimento simultâneo. 

- Embora a incorporação de ar seja fundamental na textura do sorvete, o batimento precisa ser moderado: se for acelerado incorporará muito ar ao produto.

- Os bons sorvetes artesanais têm cerca de 30% de incorporação de ar. Já os industriais, muito vezes incorporam até 100%.

- O equilíbrio na incorporação do ar mantém o sabor suave e a textura aveludada. 

- Não se deve usar gordura vegetal hidrogenada, que é nociva à saúde. 

- Sorvete é como um pão, o melhor é o feito na hora. O bom sorvete é fresco, sempre feito no dia ou, no máximo, no dia anterior.
Existem três tipos de sorvete
Sorbet ou sorbeto: vai água, açúcar e não pode conter mais de 1% de leite. O caso do sorvete de açaí da casa.
Sherbet: sorvete de fruta, processado com leite no lugar da água. O cupuaçu e o bacuri da casa são feitos assim.
Gelato: mistura de leite, creme de leite, mais a matéria-prima escolhida. O sorvete industrial usa cerca de 10% de gordura, ou seja, de produtos lácteos. Já os premium e super premium, também feitos em larga escala, chegam a 16% a 18% de gordura. É o nosso sorvete, ice-cream, para os ingleses e americanos ou helado para os espanhóis.
Serviço
Saborella - em dois endereços, em Brasília: Casa Park Shopping, Térreo, Guará, tel. (61) 3361-0909; e na 112 Norte, bloco C, lojas 38/48, tel. (61) 3340-4894.

(*)A jornalista viajou a convite do movimento Slow Food
FONTE: iG - www.ig.com.br
 

Brasília custaria US$ 83 bilhões

Em dinheiro de hoje, Brasília custaria US$ 83 bilhões
09/04 - 15:58 - iG Brasília


US$ 1,5 bilhão. Este é o cálculo mais aceito para o custo total da construção de Brasília. Foi feito pelo economista Eugênio Gudin, ministro da Fazenda de Café Filho. Atualizado esse valor, se Brasília fosse construída hoje, teriam sido gastos cerca de US$ 83 bilhões. Quase seis vezes o que o Brasil pretende investir nos Jogos Olímpicos de 2016.

Leia especial sobre os 50 anos de Brasília
Marcos Brandão/OBrittoNews



Da inauguração para cá, nestes 50 anos muita coisa mudou na capital do país. Os 66 alunos do ensino médio transformaram-se em mais de 64 mil. Nas ruas, onde 24 ônibus serviam à população, passam agora 8,1 mil coletivos.
Eram 232 operários no dia 1° de novembro de 1956 com a missão de construir a cidade em cerca de três anos e meio. Esse número passou para mais de três mil em fevereiro de 1957. E, em julho daquele ano, 12,7 mil já residiam no canteiro de obras então batizado como "Cidade Livre", hoje transformado numa cidade satélite, quase um bairro de Brasília: o Núcleo Bandeirante.

No início de 1959, um ano antes da inauguração, 30 mil trabalhadores atuavam diretamente nas obras. Mas a população total da futura capital alcançava os 60 mil habitantes. E, no dia de sua inauguração, cerca de 140 mil pessoas já residiam na cidade.

Hoje, são mais de 2,6 milhões de habitantes nesta que já é uma "metrópole nacional", status que divide com São Paulo e Rio de Janeiro segundo a classificação da rede urbana brasileira elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Na última contagem realizada pelo IBGE, em 2009, a cidade figurou como a quarta maior do país. Junto com Anápolis (139 km) e Goiânia (209 km), ela compõe o eixo Goiânia-Anápolis-Brasília, a região mais desenvolvida do Centro-Oeste brasileiro.

E o Centro-Oeste tornou-se o corredor de desenvolvimento mais promissor do país no momento, ligando a capacidade produtiva da região Sul às riquezas naturais da região Norte. Na prática, a realização do sonho de interiorização do desenvolvimento, nascido antes mesmo da Independência do Brasil.

Fonte: www.ig.com.br
          http://ultimosegundo.ig.com.br/brasilia50anos/2010/04/09/brasilia+50+anos+++antes+e+depois+9453552.html